O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, nove dias depois do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com a Selic em 13,75% ao ano, a mediana dos economistas consultados pelo BC aponta corte de 0,25 ponto, mas o resultado das urnas entrou na conta dos analistas.
Onde está a Selic
O Copom levou a Selic de 14% para 13,75% em 16 de setembro, em decisão unânime. Foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto, segundo a Forbes; o ciclo começou em março, quando a taxa estava em 15%, segundo o Itaú.
A decisão de novembro sai na quarta-feira (4/11), a partir das 18h30, e a ata, na terça seguinte (10/11). A última reunião do ano será em 8 e 9 de dezembro, conforme o calendário do BC.
O que diz o Focus
O Boletim Focus mais recente saiu na terça-feira (13/10), por causa do feriado, com dados até 9/10:
- Copom de novembro: mediana de 13,50%, ou seja, corte de 0,25 ponto. Quatro semanas antes, a mediana era de manutenção em 13,75%;
- Copom de dezembro: 13,25%, ante 13,50% na semana anterior, o que indica um segundo corte;
- Selic no fim de 2027: 12%, sem mudança há 17 semanas;
- IPCA de 2026: 5,22%, quarta alta seguida e acima do teto da meta, de 4,5%; para 2027, 4,30%.
A edição desta segunda-feira (19) sai às 8h25 e não havia sido divulgada quando este texto foi escrito.
O que o Banco Central sinalizou
No comunicado de setembro, o Copom não indicou os próximos passos. Afirmou que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações" e que o cenário "demanda serenidade e cautela na condução da política monetária". Também disse que "segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária". A projeção de inflação para o horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2028, ficou em 3,2%, acima da meta de 3%.
A ata, de 22 de setembro, manteve o tom. Segundo a Agência Brasil, o documento diz que, "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se restrição monetária maior e por mais tempo". Para o Itaú, a ata "mantém em aberto a discussão sobre os próximos passos da política monetária", segundo o InfoMoney.
Inflação acima do teto
O IPCA de setembro subiu 0,82%, e a inflação em 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5%, segundo o IBGE, puxada pela conta de luz. Para Matheus Villela, da Aware Investments, o dado "fortalece o argumento por um ritmo mais gradual ou uma pausa", embora não impeça um novo corte, segundo o BPMoney.
O que o mercado precifica
Em 2 de outubro, antes do primeiro turno, a curva de juros dividia as apostas meio a meio entre corte e manutenção em novembro, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg, ao Money Times.
Depois da votação de 4 de outubro, em que Flávio terminou à frente, as taxas recuaram. "Os juros futuros caíram forte, mais de 100 pontos-base", disse em 6 de outubro Stephan Kautz, da EQI Research, que via "chances de uma redução de 50 pontos", segundo o EuQueroInvestir. Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, disse à Forbes: "A gente espera um corte de 0,25 na reunião de novembro."
Na sexta-feira (16/10), após a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral, os juros futuros subiram pela quarta sessão seguida. Segundo a Reuters, os investidores seguiam convictos de um corte de 0,25 ponto em novembro, mas divididos sobre dezembro: "A percepção geral é de que a decisão de dezembro estará diretamente relacionada ao resultado da eleição".
Como a eleição pode afetar os juros
Os analistas ouvidos pela imprensa convergem num ponto: o que deve pesar é a política fiscal do vencedor.
- Rafaela Vitoria (Inter): "Não é a persona, o político no governo, mas sim a atitude fiscal do governo." Para ela, um fiscal mais expansionista pode manter a Selic alta por mais tempo, e um sinal fiscal mais forte abriria espaço para cortes maiores em 2027. Ela não espera que o resultado mude a decisão de novembro, segundo a Forbes.
- UBS: em relatório citado pela Forbes, o banco diz que "a reprecificação deve ser gradual" e que um real mais forte daria espaço para acelerar os cortes além de 0,25 ponto por reunião.
- Solange Srour (UBS Global Wealth Management): o vencedor precisa anunciar medidas fiscais críveis logo após a eleição para evitar piora das expectativas, desvalorização do real e alta dos juros longos, segundo o InfoMoney.
- Reuters: o mercado espera controle mais rígido das contas num eventual governo Flávio, embora ele e seus assessores ainda não tenham apresentado propostas concretas de ajuste.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já disse que a instituição não deve reagir a cada pesquisa. "Não me parece ser o papel que o Banco Central deveria desempenhar", afirmou em fevereiro, num evento do BTG Pactual, segundo a Agência Brasil.
O que observar até a decisão
- Segundas (19 e 26/10): Boletim Focus;
- Sexta (23/10): IPCA-15 de outubro, pelo IBGE;
- Domingo (25/10): segundo turno;
- Quarta (4/11): decisão do Copom.
Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Fontes: Banco Central – comunicados do Copom, Banco Central – atas do Copom, Banco Central – Focus com dados até 9/10 (PDF), Mercado&Consumo/Agência Brasil – Focus de 13/10, Agência Brasil – ata do Copom, InfoMoney – corte para 13,75%, InfoMoney – leituras da ata, Itaú – Copom de março (PDF), Investidor10 – calendário do Copom em 2026, IBGE – IPCA de setembro (PDF, via Poder360), BPMoney – IPCA e o Copom, Money Times – curva antes do 1º turno, EuQueroInvestir – EQI Research, Forbes – Selic e eleições, CNN Brasil/Reuters – juros futuros em 16/10, InfoMoney – debate econômico no 2º turno, Agência Brasil – Galípolo e as eleições
Atualização (19/10/2026, 11h): o Focus divulgado nesta segunda manteve a mediana de 13,50% para a Selic no Copom de novembro e de 13,25% para dezembro; veja os números completos.
Foto: Senado Federal (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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