Este é um texto de opinião da seção Análise do Leste Político.
Na entrevista ao SBT News, na segunda-feira (19), o presidente Lula voltou a criticar a autonomia do Banco Central. Para ele, a regra impede o presidente de discutir política monetária, e quem acaba discutindo é "o sistema financeiro", segundo o Poder360. A crítica não é nova, mas chega em hora ruim.
Por que a autonomia importa
A Lei Complementar 179, de 2021, deu mandatos fixos ao presidente e aos diretores do BC, que não coincidem com o do presidente da República. A lógica é simples: quem define os juros não pode ser demitido por desagradar o governo do momento. Sem essa proteção, cresce a tentação de baixar a Selic antes da eleição e pagar a conta depois, em inflação.
A meta de inflação continua sendo definida pelo Conselho Monetário Nacional, onde o governo tem dois dos três votos. O governo, portanto, já discute a política monetária. O que a lei impede é que ele mande no instrumento.
O momento pede o contrário
Os números são do próprio mercado. O Boletim Focus desta semana projeta inflação de 5,22% em 2026, acima do teto de 4,5% e bem acima dos 4,92% de um mês atrás. A Selic está em 13,75%. Na ata de setembro, o Copom escreveu que, "em um ambiente de expectativas desancoradas", é preciso "restrição monetária maior e por mais tempo".
Quando cresce a dúvida sobre a independência de quem segura os preços, investidores cobram mais para financiar o governo por prazos longos. Esse prêmio chega ao financiamento da casa, do carro e ao rotativo do cartão.
A posição do Leste
A autonomia do BC é uma conquista institucional que deveria ficar fora da disputa eleitoral. Juro baixo e duradouro vem de contas públicas em ordem e de um Banco Central que inspire confiança, não de pressão sobre ele. Lula disse também que as medidas do fim da campanha "não são bomba que vai estourar". Os números de 2027 vão dizer se ele tem razão, e cabe ao BC, com autonomia, reagir ao que vier.
Leia os dados em o que diz o Focus desta semana e o que o mercado espera do Copom de novembro.
Fontes: Poder360 – Lula nega "bomba fiscal" e critica a autonomia do BC (19/10), Planalto – Lei Complementar 179/2021, Banco Central – Boletim Focus de 19/10 (PDF), Agência Brasil – ata do Copom (setembro)
Foto ilustrativa: sede do Banco Central, em Brasília. Senado Federal (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

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