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Vazamento da Ticketmaster no Brasil – o que vazou e o que fazer

Ticketmaster avisou quem comprou ingressos em 2025 que CPF, telefone e e-mail podem ter sido expostos. Veja os riscos e o passo a passo.

Por Redação Leste Político·
Plateia em show com luzes no palco, com o título: vazamento na Ticketmaster, o que fazer

A Ticketmaster Brasil, plataforma de venda de ingressos para shows e eventos, confirmou um incidente de segurança que expôs dados pessoais de clientes que compraram ingressos ao longo de 2025. Os avisos começaram a chegar por e-mail na quarta-feira (14/10), segundo o Canaltech. A empresa não informou quantas pessoas foram afetadas.

O que vazou

Segundo o comunicado enviado aos clientes, reproduzido pelo Canaltech e pelo Olhar Digital, os dados expostos variam conforme o que cada pessoa informou na compra e podem incluir:

  • nome completo, gênero e faixa etária ou data de nascimento;
  • CPF ou outro documento usado na compra;
  • telefone e e-mail;
  • cidade, estado e bairro;
  • dados da compra, como a forma de pagamento e os quatro últimos dígitos do cartão.

A empresa afirma que não foram expostos números completos de cartão, dados de contas bancárias nem senhas.

O que a empresa diz

Em nota ao Olhar Digital e ao Canaltech, a Ticketmaster Brasil atribuiu o caso a "uma ferramenta de análise de dados fornecida por terceiros". O nome do fornecedor não foi divulgado. Segundo a empresa, "a plataforma de venda de ingressos e os sistemas de contas dos fãs não foram afetados".

A companhia diz que a investigação, feita com especialistas externos em cibersegurança, foi concluída em setembro de 2026, que adotou medidas para conter o incidente e que comunicou o caso à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Para dúvidas, indica o e-mail incidente-dados@ticketmaster.com.br.

E a ANPD?

O Leste Político não localizou, até domingo (18/10), manifestação pública da ANPD sobre o caso. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) obriga a empresa responsável pelos dados a comunicar à autoridade e aos titulares incidentes que possam causar risco ou dano relevante (art. 48).

Não confunda com o episódio de 2024, quando a Live Nation, dona da Ticketmaster, informou à SEC (a CVM americana) ter identificado atividade não autorizada em um banco de dados em nuvem de terceiros. Na época, a InfoMoney noticiou que o caso podia ter exposto até 560 milhões de clientes no mundo. São casos diferentes.

Quais são os riscos

Senhas e cartões completos ficaram de fora, mas o conjunto de dados é suficiente para golpes convincentes:

  • Phishing: mensagens falsas sobre "reembolso", "ingresso cancelado" ou "atualização de cadastro", citando seu nome, seu CPF e até o final do seu cartão para parecerem legítimas.
  • Golpes do Pix: pedidos de pagamento de "taxa" para liberar reembolso ou contato de falsas centrais de atendimento, por telefone ou WhatsApp.
  • Uso do CPF: tentativas de abrir contas, cadastrar chaves Pix ou contratar crédito em seu nome.

A própria empresa lembra que seus canais oficiais não pedem senhas, formas de pagamento ou outras informações sensíveis sem aviso prévio.

Checklist – o que fazer agora

Para se proteger

  • Confira o e-mail sem clicar em nada. Para acessar sua conta, digite o endereço do site no navegador em vez de usar links recebidos.
  • Troque a senha da conta na Ticketmaster e em qualquer serviço onde você use a mesma senha. Ative a verificação em duas etapas onde houver.
  • Desconfie de quem cita seus dados. Nome, CPF e final do cartão vazaram; saber essas informações não prova que o contato é oficial.
  • Nunca pague para receber reembolso e não faça Pix para chaves informadas por desconhecidos.
  • Consulte o Registrato, do Banco Central. É gratuito, exige conta gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas e emite relatórios das chaves Pix e dos empréstimos e financiamentos registrados no seu CPF. Se aparecer algo que você não reconhece, procure a instituição responsável.

Para exercer seus direitos (LGPD)

  • Peça informações à empresa. A LGPD (art. 18) garante confirmar se seus dados são tratados, acessá-los e saber com quem foram compartilhados. A resposta completa deve vir em até 15 dias (art. 19). Pergunte quais dados seus foram afetados e quais medidas foram tomadas, e guarde o protocolo.
  • Sem resposta, recorra à ANPD. A petição de titular exige comprovante do pedido feito antes à empresa. Segundo a ANPD, as petições são analisadas de forma agregada e orientam a fiscalização, sem resposta individual a cada caso.
  • Problema de consumo? Também é possível registrar reclamação no Procon do seu estado ou no consumidor.gov.br.

Se cair em um golpe

  • Avise o banco imediatamente e peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Quem foi vítima de fraude tem até 80 dias após a transferência para fazer o pedido, segundo a Agência Brasil.
  • Guarde comprovantes e mensagens e registre boletim de ocorrência.

Fontes: Canaltech – comunicado e dados expostos, Olhar Digital – nota da Ticketmaster e ANPD, 93 Notícias – data dos avisos e canal de atendimento, InfoMoney – caso global de 2024, Planalto – Lei Geral de Proteção de Dados, ANPD – fluxo da petição do titular, gov.br – relatório de chaves Pix (Registrato), gov.br – relatório de empréstimos (SCR), Agência Brasil – prazos do MED

Foto ilustrativa: Shixart1985 (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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