O salário mínimo deve passar de R$ 1.621 para R$ 1.741 em 1º de janeiro de 2027, segundo o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso em 31 de agosto. A alta prevista é de R$ 120, ou 7,4%. O número ainda é uma estimativa: o valor oficial só sai em dezembro, depois da inflação de novembro.
O que diz o Orçamento
O PLOA 2027 (PLN 24/2026) traz o mínimo de R$ 1.741, segundo a Agência Senado e a Agência Câmara. Em abril, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) estimava R$ 1.717, segundo a Rádio Senado.
A revisão de R$ 24 veio da inflação maior: a Secretaria de Política Econômica da Fazenda passou a projetar inflação de 4,93% nos 12 meses até novembro, o período usado no cálculo, segundo o Poder360.
O piso atual, de R$ 1.621, vale desde 1º de janeiro de 2026, com alta de R$ 103 sobre os R$ 1.518 de 2025, segundo a Rádio Senado.
Como o reajuste é calculado
A política de valorização soma duas parcelas:
- Inflação: o INPC, do IBGE, acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior;
- Ganho real: o crescimento do PIB de dois anos antes.
A regra segue em vigor, com uma trava. Pela Lei 15.077, sancionada em dezembro de 2024 no pacote de corte de gastos, o ganho real fica entre 0,6% e 2,5% acima da inflação de 2025 a 2030, os limites do arcabouço fiscal, segundo a Agência Brasil e o Aos Fatos.
Para 2027 conta o PIB de 2025, que cresceu 2,3% segundo o IBGE, e é esse número que entra na conta do governo, segundo a Exame e o Poder360. Como fica abaixo de 2,5%, não há corte.
Quando sai o valor oficial
- Início de dezembro: o governo envia ao Congresso uma mensagem com o valor atualizado, segundo a Agência Brasil.
- Dezembro: o IBGE divulga o INPC de novembro, e o novo mínimo é fixado por decreto, como em dezembro de 2025.
- 1º de janeiro de 2027: o valor entra em vigor. Para o assalariado, ele aparece no salário de janeiro, pago em fevereiro, como informou a Rádio Senado no reajuste de 2026.
O número pode mudar. Em setembro, o INPC em 12 meses estava em 4,29%, segundo o IBGE (dado de 9/10), abaixo dos 4,93% projetados pelo governo para os 12 meses até novembro.
Pelas contas do Leste Político, se o índice fechasse novembro nos mesmos 4,29%, o mínimo ficaria em cerca de R$ 1.730. Cada 0,1 ponto de INPC muda o piso em cerca de R$ 1,70.
O que o mínimo afeta
- Aposentadorias e pensões do INSS: nenhum benefício que substitua a renda do trabalho pode ser menor que o mínimo, então quem recebe o piso tem o reajuste cheio. Os demais são corrigidos pelo INPC, segundo a Agência Brasil. "2/3 dos benefícios estão atrelados ao salário mínimo", disse ao Poder360 o economista Felipe Salto, da Warren Investimentos.
- BPC: o Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de baixa renda, vale um salário mínimo. A referência de renda, de 1/4 do mínimo por pessoa da família, iria de R$ 405,25 para R$ 435,25, pelas contas do Leste Político.
- Abono salarial (PIS/Pasep): vai até um salário mínimo, proporcional aos meses trabalhados. O limite de renda para ter direito deixou de seguir o mínimo: desde o pacote fiscal de 2024, é corrigido pelo INPC até chegar a 1,5 mínimo, por volta de 2035, segundo O Globo.
- Seguro-desemprego: a parcela mínima é igual ao salário mínimo (R$ 1.621 em 2026, segundo o Congresso em Foco). O teto segue o INPC.
- MEI: a contribuição ao INSS é de 5% do mínimo, ou R$ 81,05 em 2026, mais R$ 1 de ICMS e/ou R$ 5 de ISS, segundo a Agência Brasil. Pelas contas do Leste Político, com R$ 1.741 a parte do INSS iria a R$ 87,05.
Quanto custa para o governo
O PLDO 2027 estima que cada R$ 1 a mais no mínimo gera R$ 413,2 milhões em despesas primárias, segundo a CNN Brasil e o Poder360. Com esse número, simulação das consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado citada pelo Poder360 aponta impacto bruto de R$ 49,6 bilhões para a alta de R$ 120, ou cerca de R$ 48,6 bilhões no resultado primário, descontada a arrecadação previdenciária extra.
Pelas contas do Leste Político, cada 0,1 ponto de INPC equivale a cerca de R$ 700 milhões por ano.
O PLOA reserva para 2027 R$ 1,169 trilhão para benefícios da Previdência, R$ 145,1 bilhões para o BPC e R$ 104,7 bilhões para abono e seguro-desemprego, segundo a Agência Câmara.
Análise do Leste Político
Esta seção é opinião.
Ganho real é bem-vindo quando vem de produtividade. O problema é a vinculação automática: cada real a mais no piso vira R$ 413 milhões de gasto obrigatório, que espreme investimento e custeio. A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, contra superávit de R$ 18,6 bilhões no PLOA, e espera gastos com Previdência e BPC maiores que os do governo.
Tratar separadamente a referência do mercado de trabalho e a correção de benefícios permitiria avaliar cada uma pelo seu mérito. Sem isso, o Orçamento segue refém de uma conta que se reajusta sozinha.
Fontes: Agência Brasil – PLOA prevê R$ 1.741, Agência Senado – envio do Orçamento de 2027, Agência Câmara – PLOA 2027 e despesas, Rádio Senado – PLDO previa R$ 1.717, Rádio Senado – mínimo de 2026, Poder360 – projeção de inflação e PIB, Poder360 – impacto de R$ 49,6 bilhões, CNN Brasil – R$ 413,2 milhões por R$ 1, Exame – cálculo do governo, Metrópoles – PIB de 2025 e 2024 pelo IBGE, Agência Brasil – INPC de setembro, O Povo/Agência Brasil – regra com limite até 2030, Aos Fatos – Lei 15.077, O Povo/Agência Brasil – contribuição do MEI, Folha de Pernambuco/O Globo – regra do abono, Congresso em Foco – tabela do seguro-desemprego, SBT News – projeção da IFI
Foto ilustrativa: Dmitry G (domínio público), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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