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Horário de verão 2026 – vai ter? Não há decisão; veja o que se sabe

O Brasil não tem horário de verão desde 2019 e o governo não anunciou decisão para 2026/27. Veja o que dizem MME e ONS e os prós e contras.

Por Redação Leste Político·
Mulher ajustando relógios de parede em foto de arquivo, com o título: horário de verão 2026, vai ter?

Não há decisão do governo federal sobre a volta do horário de verão em 2026/2027. Nas fontes oficiais e na imprensa consultadas pelo Leste Político até 19 de outubro, o último posicionamento público específico localizado do Ministério de Minas e Energia (MME) é de outubro de 2025, quando a medida foi descartada para aquele verão. A volta depende de decreto do presidente da República.

O que diz o governo

Na página de perguntas e respostas sobre o tema, o MME afirma que, no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), "continuará avaliando periodicamente a adoção dessa política pública".

A reunião mais recente do CMSE divulgada pelo ministério, em 7 de outubro, não menciona o horário de verão. Segundo a nota oficial:

  • o sistema encerrou o período seco com 61% de armazenamento no fim de setembro, contra 56% um ano antes;
  • o monitoramento aponta El Niño "muito forte" entre a primavera e o verão;
  • num cenário de demanda maior e condições hidrológicas adversas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê uso complementar de termelétricas e a possibilidade de recorrer à reserva de potência em novembro e a partir de janeiro de 2027.

A última declaração direta localizada foi do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em 14 de outubro de 2025, ao programa "Bom Dia, Ministro", segundo o Poder360: "Nós estamos completamente seguros que nós não precisamos do horário de verão este ano". Ele acrescentou: "Nós teríamos a coragem de implementar, caso necessário". Segundo Silveira, o CMSE discute o tema todo mês.

Como chegamos aqui

  • 2019: o Decreto 9.772, de 25 de abril, encerrou a hora de verão. Segundo o MME, estudos daquele ano mostraram que o maior consumo diário tinha migrado para a tarde e que "o Horário de Verão deixou de ser vantajoso sob o ponto de vista do setor elétrico". Antes, valia de novembro a fevereiro em dez estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e no DF.
  • 2024: nota técnica do ONS estimou corte de até 2,9% da demanda nos horários de pico e economia de cerca de R$ 400 milhões de outubro a fevereiro, segundo o Poder360 (24/9/2024). Em 16 de outubro, Silveira anunciou que a medida não voltaria: "chegamos à conclusão de que não há necessidade de decretação de horário de verão para este ano". O argumento foi a falta de tempo para agir no período mais crítico, de 15 de outubro a 30 de novembro.
  • 2025: em maio, o diretor-geral do ONS, Márcio Rea, defendeu a volta em reunião do CMSE, segundo a CNN Brasil. Em julho, o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, disse ao Estadão, segundo o Poder360: "Eventualmente, podemos recomendar horário de verão como imprescindível". No início de outubro, o MME informou que "as condições dos reservatórios são favoráveis" e que estudos confirmavam o atendimento até fevereiro de 2026, segundo o Estadão Verifica.

Os argumentos

A favor

  • Ponta da noite: o objetivo histórico da medida era reduzir a demanda no período noturno, segundo o MME. Em 2024, o ONS calculou alívio de cerca de 2 GW entre 18h e 20h, segundo o Poder360.
  • Custo: o mesmo estudo estimou economia de até R$ 1,8 bilhão por ano a partir de 2026, se a medida fosse recorrente, com menos uso das térmicas de reserva contratadas em leilão de 2021.

Contra

  • Benefício menor: segundo o MME, citado pelo InfoMoney em setembro de 2025, o pico de consumo hoje acontece nas tardes mais quentes, pelo uso de ar-condicionado.
  • Abastecimento garantido: a segurança do suprimento esteve entre os argumentos para descartar a medida em 2024 e 2025, e o armazenamento de 2026 está acima do de 2025, segundo o CMSE.
  • Opinião dividida: em outubro de 2024, o Datafolha encontrou 47% a favor e 47% contra, o menor apoio desde 2017 (2.029 entrevistas, margem de dois pontos), segundo o InfoMoney.

O que está pendente

Nenhuma decisão formal está anunciada. A palavra final é política: passa pelo MME e, em última instância, pelo presidente, segundo a CNN Brasil.

O governo também estuda outros caminhos para a ponta. Em 2 de setembro, o CMSE decidiu manter e aprimorar os mecanismos de resposta da demanda, apresentados pelo MME como alternativa para atender às necessidades de potência do sistema. Em agosto, o MME abriu consulta pública para cobrar menos encargo de reserva de capacidade de quem consome pouco nos horários de maior demanda.

Há ainda o calendário eleitoral. Em 2018, a pedido do TSE, o início foi adiado para novembro para não mudar o horário entre os dois turnos, segundo o MME. Em 2026, o segundo turno é no domingo, 25.

Se nada mudar, o verão de 2026/2027 será, pelas contas do Leste Político, o oitavo seguido sem horário de verão.

Análise do Leste Político

Esta seção é opinião.

O problema não é só a decisão, mas o método. Uma escolha que mexe com voos, bancos e sistemas é tomada a cada ano, perto do prazo, com estudos divulgados aos poucos. Previsibilidade também é política energética.

Melhor do que mexer no relógio de todos é deixar o preço falar. Tarifas que reflitam o custo da ponta e a resposta da demanda remunerada permitem que cada consumidor ajuste o próprio uso. Se o ONS vê ganho no horário de verão, que publique a conta completa e o governo fixe uma regra estável.

Fontes: MME – perguntas e respostas sobre o horário de verão, MME – reunião do CMSE de 7/10/2026, MME – CMSE e resposta da demanda (2/9/2026), MME – consulta sobre o encargo de reserva de capacidade, Decreto 9.772/2019 (Planalto), Poder360 – Silveira descarta horário de verão em 2025, Poder360 – governo não adota horário de verão em 2024, Poder360 – estudo do ONS de 2024, Poder360 – ONS fala em medida "imprescindível", CNN Brasil – ONS recomenda a volta (maio de 2025), Estadão Verifica – nota do MME (outubro de 2025), InfoMoney – posição do MME em 2025, InfoMoney – Datafolha de 2024

Foto de arquivo: Rob Bogaerts/Anefo (CC0), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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