O Irã afirmou nesta segunda-feira (19) que pode reabrir o Estreito de Ormuz em seis dias se os Estados Unidos aceitarem suas condições. Enquanto isso, a Guarda Revolucionária iraniana relatou mais um petroleiro atingido por mina na região, e o petróleo segue acima de US$ 100 o barril. A passagem, por onde transitava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, está praticamente fechada desde o início do conflito, em fevereiro.
O que o Irã propõe
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que a proposta iraniana de reabertura em sete dias "ainda está na mesa", segundo o Türkiye Today. "Se cumprirem nossas condições, o Estreito de Ormuz será reaberto no sexto dia", afirmou à imprensa iraniana em Bagdá, onde participou de reunião de chanceleres da Organização para a Cooperação Islâmica (tradução livre). As negociações começariam no sétimo dia.
As condições, segundo o Türkiye Today e o Gulf News:
- fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos;
- retirada das sanções às exportações de petróleo do Irã;
- fim das hostilidades em todas as frentes da região.
Araghchi disse que Washington enviou comentários à proposta, que estão em análise. Segundo o Gulf News, não há acordo confirmado, e a data de reabertura é uma proposta condicionada, não um prazo acertado. Os Estados Unidos insistem em tratar antes do programa nuclear: o vice-presidente americano, JD Vance, disse no início de outubro que o Irã precisa fazer uma redução "significativa" de sua capacidade de enriquecer urânio, segundo o Türkiye Today.
Minas e navios
No domingo (18), a Guarda Revolucionária afirmou que um petroleiro atingiu uma mina naval no sul do estreito e pegou fogo, ao usar uma rota que o Irã considera não autorizada. Foi a terceira alegação do tipo em três dias, segundo o Türkiye Today. O Gulf News ressalta que não há confirmação independente da causa nem das circunstâncias.
O Irã afirma que o estreito está completamente "fechado"; os Estados Unidos dizem que navios comerciais continuam operando, segundo o Gulf News. A Embaixada Virtual dos EUA no Irã pediu aos americanos no Oriente Médio "vigilância redobrada", com risco de cancelamento de voos e fechamento de espaço aéreo.
Como chegou a este ponto
Segundo o Türkiye Today:
- 28 de fevereiro de 2026: Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, que respondeu com mísseis e drones pela região e, na prática, fechou o estreito;
- Depois: os Estados Unidos impuseram bloqueio naval aos portos iranianos;
- Junho: os dois países assinaram um memorando sobre liberdade de navegação em Ormuz, cuja aplicação travou;
- Setembro: o Irã apresentou a proposta de reabertura em sete dias, depois do colapso de um cessar-fogo provisório, segundo o Gulf News.
Petróleo acima de US$ 100
O Brent, referência internacional, fechou a sexta-feira (16) a US$ 109,86 o barril, alta de 3,7% no dia e o maior nível desde maio, segundo dados do Investing.com e a SpaceMoney.
E no Brasil?
O petróleo caro chega à bomba, e o governo tem segurado o preço com corte de tributos e subsídios, como mostrou o levantamento de preços dos combustíveis:
- Gasolina: em 9 de outubro, o governo prorrogou por 30 dias e ampliou o corte de tributos federais para R$ 0,89 por litro de gasolina A, segundo o Ministério da Fazenda;
- Diesel importado: em 13 de outubro, uma portaria criou subvenção extra de R$ 1,40 por litro, por 30 dias, somada aos R$ 2,12 já em vigor, segundo a Agência Gov;
- Prazo: a subvenção de R$ 2,12 vale, em princípio, até 26 de outubro, um dia depois do segundo turno, segundo a Gazeta do Povo.
O Leste Político não localizou anúncio de reajuste da Petrobras em outubro até esta segunda-feira. A próxima pesquisa de preços da ANP sai na terça (20).
Fontes: Türkiye Today – Araghchi: Ormuz pode reabrir em 6 dias, Gulf News – acordo sobre Ormuz sem solução e alerta dos EUA, SpaceMoney – Brent volta a US$ 110, Investing.com – histórico do Brent, Ministério da Fazenda – prorrogação da desoneração, Agência Gov – subvenção ao diesel importado, Gazeta do Povo – prazo da subvenção ao diesel
Imagem de satélite: NASA/MODIS (domínio público), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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