A última semana antes do segundo turno, marcado para domingo (25), começa com o mercado colado no noticiário eleitoral. Depois da euforia do pós-primeiro turno, a Bolsa devolveu parte dos ganhos e o dólar voltou a subir, com as pesquisas mostrando disputa mais apertada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Da euforia à cautela em duas semanas
Na semana seguinte ao primeiro turno (4/10), em que Flávio terminou à frente, o Ibovespa subiu 11,17% e fechou a sexta (9/10) em 209.066,90 pontos, recorde de fechamento, segundo a Forbes. No mesmo dia, o dólar à vista caiu para R$ 4,9856, queda de 4,44% na semana.
"O trade eleitoral invadiu o mercado", resumiu à Forbes Felipe Sant'Anna, da Axia Investing. Segundo a reportagem, investidores apostam em controle mais rígido dos gastos a partir de 2027 numa eventual vitória de Flávio — embora o senador ainda não tenha detalhado medidas concretas.
Na semana passada, o humor mudou. O Ibovespa fechou a sexta (16/10) em 205.430,33 pontos, alta de 0,54% no dia, mas perda de 1,74% na semana, segundo a InfoMoney. O dólar terminou a R$ 5,0730, queda de 0,30% no dia e alta de 1,75% na semana, segundo a CNN Brasil, com dados da Reuters.
Juros futuros em alta
Os juros futuros (DI) subiram pela quarta sessão seguida na sexta (16/10). Segundo a Reuters, a taxa para janeiro de 2028 fechou em 12,92%, e a de janeiro de 2035, em 12,885%, com altas de 39 e 54 pontos-base na semana. A agência lembrou que a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, ante 71,7% no fim de 2022.
A pesquisa que mexeu com o pregão
Na sexta, o mercado reagiu a uma pesquisa CNT/MDA que mostrou empate técnico: Flávio com 46,8% das intenções de voto e Lula com 45,9%. O levantamento, contratado pela Confederação Nacional do Transporte, ouviu 2.014 eleitores entre 13 e 15 de outubro, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE sob o número BR-00652/2026.
"A nove dias da votação, a volatilidade deve continuar elevada, e o fluxo deve seguir condicionado a novas pesquisas", disse à InfoMoney Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital.
O que olhar nesta semana
- Segunda (19) – Boletim Focus. A pesquisa do Banco Central com economistas sai às 8h25. Na edição anterior (13/10), a projeção de inflação para 2026 subiu pela quarta vez seguida, de 5,01% para 5,22%, acima do teto da meta (4,5%); a Selic esperada para o fim do ano caiu de 13,50% para 13,25%. A edição desta segunda ainda não havia saído quando este texto foi escrito.
- Segunda a quarta – pesquisas. AtlasIntel, Nexus e PoderData divulgam levantamentos nesta segunda; a última Quaest sai na quarta (21), segundo a InfoMoney.
- Sexta (23) – IPCA-15. A prévia da inflação de outubro sai às 9h, pelo IBGE. O Bradesco projeta alta de 0,45%; o Itaú, 0,51%, o que levaria a taxa em 12 meses a 4,8%, segundo a InfoMoney. No mesmo dia, a Globo promove o último debate.
- Depois da eleição – Copom. O comitê só volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, com a Selic em 13,75% ao ano. Segundo a Reuters, investidores esperam corte de 0,25 ponto.
No radar fiscal: jornada e passe livre
Na quarta (14), o Senado aprovou por 75 votos a 1 a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, com transição de 14 meses. O texto vai à promulgação, segundo a CNN Brasil. Entidades empresariais argumentam que a mudança eleva custos de produção.
Na quinta (15), Lula anunciou em vídeo que enviará ao Congresso uma PEC de passe livre no transporte coletivo aos fins de semana, bancado com emendas parlamentares. A NTU, entidade das empresas de ônibus, estima custo de cerca de R$ 20 bilhões por ano para a União; a Confederação Nacional de Municípios fala em até R$ 60 bilhões, em cálculo preliminar, segundo o Money Times. Marcus Pestana, da Instituição Fiscal Independente (IFI), afirmou que "não há recursos sobrando para novas políticas públicas, novas despesas", segundo a CNN Brasil.
Análise do Leste Político
Esta seção é opinião.
O vaivém das últimas duas semanas mostra que o mercado está precificando, acima de tudo, política fiscal. Quando cresce a percepção de controle de gastos, os juros longos caem, o dólar recua e a Bolsa sobe; quando ela diminui, o movimento se inverte. Não é torcida: é o preço do risco de uma dívida que saiu de 71,7% para 82,9% do PIB em menos de quatro anos.
Por isso chama atenção que a reta final da campanha tenha trazido mais promessas de gasto do que de corte. Um passe livre de R$ 20 bilhões a R$ 60 bilhões por ano, sem fonte clara, é o tipo de proposta que pressiona os juros — e juro alto é imposto invisível sobre quem tem dívida, quem empreende e o próprio Tesouro. A jornada fixada por emenda constitucional segue a mesma lógica: decidir em Brasília o que poderia ser negociado entre empresas e trabalhadores.
Do outro lado, a disciplina fiscal associada a Flávio ainda é mais aposta do mercado do que plano detalhado. O debate de sexta é a última chance de os dois candidatos apresentarem números: quanto cortar, onde e em quanto tempo.
Este texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Fontes: Forbes – recorde de 9/10, InfoMoney – fechamento de 16/10, CNN Brasil – mercado em 16/10, CNN Brasil/Reuters – juros futuros, InfoMoney – pesquisa CNT/MDA, CartaCapital – pesquisa CNT/MDA, Mercado&Consumo/Agência Brasil – Focus de 13/10, InfoMoney – agenda da semana, IBGE – calendário, Remessa Online – calendário do Copom, CNN Brasil – PEC da 6x1, CNN Brasil – anúncio do passe livre, CNN Brasil – custos do passe livre, Money Times – estimativas de custo
Foto: Rafael Matsunaga (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons, adaptada. Arte: Leste Político.

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