Uma onda de ataques com drones matou mais de 160 pessoas no Sudão desde sexta-feira (16), segundo médicos e grupos de direitos humanos ouvidos pela Al Jazeera. O país está em guerra desde abril de 2023, quando o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) romperam.
Os ataques
- Al-Dibab, Kordofan Ocidental: no domingo (18), um drone atingiu um ponto de transporte perto de um mercado. Moradores e médicos falam em 80 mortos. Dos 47 feridos levados a Al-Mujlad, 30 morreram depois, segundo uma fonte médica citada pela AFP. O ataque, em área controlada pela RSF, foi atribuído ao Exército.
- Nilo Azul: na sexta (16), um drone da RSF atingiu um grupo de deslocados e matou 41 pessoas, segundo o grupo Emergency Lawyers.
- Nyala, Darfur do Sul: 17 mortos na madrugada de segunda-feira (19), incluindo sete oficiais da RSF.
- Cartum: três crianças morreram em ataques na segunda.
A reação
A ONU condenou os ataques. O porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, disse que a organização está "alarmada com os contínuos ataques mortais com drones". Os EUA pediram ao Conselho de Segurança uma trégua humanitária e a ampliação do embargo de armas; China e Rússia se opuseram ao embargo maior.
A dimensão da guerra
O conflito está no quarto ano. A ONG Acled contabiliza ao menos 59 mil mortos, e organizações humanitárias dizem que o número real é maior. Segundo a ONU, cerca de 13 milhões de pessoas foram deslocadas, e 33,7 milhões precisam de ajuda alimentar neste ano.
Fontes: Al Jazeera – 160 people reported killed in escalating drone attacks across Sudan (19/10)
Foto ilustrativa: moradores de campo de deslocados no Sudão. Sudan Envoy (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

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